Educação

“A pesquisa precisa de investimento e não de corte de recursos para que o Inpa continue a gerar conhecimento e tecnologia para o desenvolvimento da Amazônia”

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) completa este ano 65 anos de existência e a direção, seus funcionários e pesquisadores foram homenageados nesta quinta-feira (31) em Sessão Solene no Plenário Ulisses Guimarães, na Câmara dos Deputados. De autoria do deputado federal José Ricardo (PT/AM), os cortes de recursos do Governo Federal na área da educação e da pesquisa foram pontos de críticas e cobranças na solenidade.

Há mais de seis décadas, explicou José Ricardo, o Inpa gera conhecimentos e tecnologias adaptadas à realidade amazônica. “Tem compromisso com o desenvolvimento sustentável, com a defesa do meio ambiente e a sociobiodiversidade. Devido aos cortes de recursos do Governo Bolsonaro, o funcionamento do INPA está ameaçado”, declarou ele, destacando que o grande acervo de pesquisas do Inpa, a disposição da sociedade. “São muitas áreas do conhecimento: manejo de recursos naturais e manejo de madeira, pesca, caça, abelhas, peixes ornamentais e inúmeros produtos regionais. Estudos sobre a rica biodiversidade, a exploração adequada, as mudanças climáticas e a conservação ambiental”.

E ainda acrescentou que tudo isso está ameaçado com a redução dos investimentos em ciência, tecnologia e pesquisas que afetam todas as instituições no Brasil. “O numero de funcionários do INPA está reduzindo. Já teve 1.200. Hoje são apenas 540, entre pesquisadores, técnicos e administrativos, sendo que 240 estão para se aposentar. A maior parte é bolsista, que desenvolve as pesquisas pelo INPA. O Governo Bolsonaro cortou drasticamente os recursos do CNPq destinados às bolsas de pós-graduação, cerca de R$ 330 milhões do orçamento em 2019. Precisamos lutar pela pesquisa e pelo Inpa, que precisam ser salvas”, salientou.

Representando o Inpa, Sérgio Fonseca Guimarães afirmou que sentimento é de gratidão e de reconhecimento de todos que contribuíram com o Instituto. “Temos a missão de gerar e disseminar tecnologia e capacitar recursos humanos para o desenvolvimento de pesquisas científicas e tecnológicas. Também tem missão universalista, por meio de convênios com a Alemanha, França, Estados Unidos, Japão. Executa e lidera projetos de grande porte, como o Observatório da Amazônia, com torres para controlar as mudanças climáticas”, destacou.

O Inpa também tem cursos de pós-graduação, ajudando na formação dos pesquisadores, como ainda bolsas de pesquisa e até editora, com produção de revistas e outros periódicos, além do Bosque da Ciência. Para Sérgio, nenhuma instituição está imune a dificuldades, enquanto órgão federal. “Está sofrendo significativa perda de pessoal e de recursos financeiros também. Mas tem que aproveitar esse momento para reforçar metas e valores, refletir sobre o que precisa ser mudado, tendo em vista sempre o desenvolvimento da região e de melhoria do seu povo. Que o Inpa continue sendo orgulho do Amazonas”.

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Amazonas (Sindsep/AM), Valter Matos, destacou que a apesar da importância do Inpa para o País, conforme mencionado pela sociedade, o instituto vem sofrendo nos últimos três anos um esvaziamento de recursos, o que prejudica a execução de sua principal função que é a Ciência e Tecnologia e Pesquisa. E como exemplo, Matos mencionou a falta de concursos públicos para instituição que está precisando de servidores. Ele lembrou também da luta “Salve o Inpa” encampada pelos estudantes da Ufam e servidores. “O Inpa já chegou a ter quase 1500 trabalhadores. Atualmente tem um pouco mais de 500. Como podemos fazer pesquisas para o desenvolvimento e proteção da Amazônia sem recursos de pessoal e financeiro? Isso é um reflexo do Governo Bolsonaro que não valoriza a área de Ciência e Tecnologia. Defender o Inpa é defender a Amazonia”, afirmou, lembrando que as queimadas e do desmatamento na região é resultado também da falta de incentivos financeiros para o instituto.

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