Participação Popular

No Dia Mundial do Urbanismo, a “Manaus que Queremos” traz como desafios políticas para uma metrópole cidadã, mas com fiscalização para o cumprimento do Plano Diretor

Desapropriação de espaços ociosos para interesse social, livre parada de ônibus para as mulheres, creches para todas as crianças, água tratada e nas torneiras em cem por cento das casas, transporte digno e com preço justo, mais arborização, calçadas para pedestres e cadeirantes e vias com acessos democráticos e seguros para outros meios, como o ciclismo. Algumas das propostas para uma metrópole cidadã e que neste Dia Mundial do Urbanismo (8) foram expostas como desafios para “A Manaus que Queremos”, mas com um porém, que haja eficiente fiscalização da sociedade para que os governantes cumpram as leis, como o Plano Diretor.

O debate ocorreu na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), tendo como tema planejamento urbano, com a contribuição de especialistas na área e dos movimentos sociais, de autoria do deputado federal José Ricardo (PT/AM) e participação do também deputado federal e ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PSOL/PA).

De acordo com José Ricardo, Manaus enfrenta grandes problemas oriundos do crescimento desorganizado e pelas constantes faltas de políticas públicas, resultado de governantes que são priorizaram a cidade. “Para a Copa do Mundo de 2014, por exemplo, muitos recursos foram disponibilizados para as cidades-sede. Mas os governantes da época não se preocuparam com isso. Assim, Manaus cresceu sem planejamento, fruto de muitas ocupações irregulares e das migrações atraídas pela Zona Franca de Manaus e pelos empregos. Temos um enorme déficit de saneamento e de habitação, sem água tratada para todos, fora o transporte público, que vive um caos eterno. Esperando tirar desse debate propostas que possa contribuir com o desenvolvimento da capital”, declarou.

Professor doutor em Geografia da Ufam, Marcos Castro frisou sobre a metrópole cidadã, que analisa a cidade como responsabilidade de todos, começando na calçada de casa até os destinos comuns e públicos. E lembrou que a maioria das cidades e gestões nasceu no improviso, sem planejamento e na falta de compromisso com a cidade. “A cidade tem que ser uma política de Estado. Falta-nos isso no Brasil. Não nos faltam leis. O Plano de Diretor de Manaus, por exemplo, existe e tem seu valor, mas não é cumprido pelo Poder Público”, destacou ele, lembrando que os espaços públicos da cidade são desigualmente divididos, produzindo grandes metrópoles segregadas, onde os mais ricos se fecham em condomínios de luxo e os mais pobres em ocupações irregulares, verdadeira demonstração das lutas de classes.

Em sua explanação, o doutor em Geografia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Geraldo Valle destacou que se está vivendo uma crise civilizatória na atualidade, com discursos, sistemas de Governo e modo de produção como as tecnologias, informações e trabalho. Tudo isso, explicou ele, são ações do homem que resultam na depredação do meio ambiente, das cidades e da vida humana, ocasionando o caos atual das grandes metrópoles. “Embora pensar a cidade seja uma ação multidisciplinar, deve-se pensar em e com todos os parceiros para a melhor compreensão de seu espaço e de que forma irá compartilhá-la democraticamente entre os povos que nela reside”, completou o arquiteto e especialista em Sustentabilidade Urbana pela Ufam, Gonzalo Melgar.

Pensar a cidade com humanização

O deputado Edmilson Rodrigues afirmou que os problemas das grandes metrópoles são resultados característicos de uma atuação perversa e neoliberal, que destrói e humilha as pessoas e os espaços públicos. “É importante pensar a cidade na perspectiva da humanização. É preciso pensar em projeto de futuro que pense nos mais pobres e necessitados. Priorizando a moradia digna, com espaços urbanizados e políticas públicas funcionando”, explicou ele, comentando que é preciso utilizar as técnicas e as tecnologias, transformando essa biodiversidade e o turismo ecológico em economia forte, em mais renda e mais políticas para a sua população. “Isso é cidade inteligente, cidadã e a que todos desejam para o futuro”.

A coordenadora do Movimento União Nacional por Moradia Popular, Cristiane Sales, destacou que o debate é importante para propor para cidade de Manaus políticas públicas para seu desenvolvimento, principalmente, para área de habilitação, priorizando as mulheres que são as mais atingidas com a falta de moradia. “Estamos aqui para falar e defender a pauta das mulheres. Não queremos somente lotes de terra, mas também urbanização. Por isso, defendemos a desapropriação de espaços sociais ociosos de Manaus, para que sejam transformados em moradia digna”, disse.

Já Paôla Rodrigues, do Levante Popular da Juventude, afirmou que os alunos são os mais afetados pela falta de planejamento urbano, por exemplo, com poucas linhas para atender as universidades. “Qual o projeto político de planejamento urbano? Falta de planejamento dentro das zonas periféricas, como espaços para reuniões, para “batalhas de rima”, para conversar. Temos que construir espaços educacionais e culturais dentro das cidades. Essas perspectivas assustam a juventude de dentro das escolas e das universidades. Fecham as portas, quando essas deveriam estar abertas. Estão jogando os jovens para a marginalidade. E precisamos lutar contra”.

Entre os participantes, destacam-se os setores acadêmicos nos cursos de engenharia, arquitetura e geografia das universidades, deputados, entidades da sociedade civil e a população em geral.

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